Farofando com os Franceses

Sabe quando sua família desce para a praia no fim de semana para “farofar” (seu pai com aquele isoporzão cheio de itaipava e dolly guaraná, seu tio com os sandubas de mortadela, sua mãe com a esteira pra todo mundo sentar…) e você morre de vergonha? Fica pensando que não fez nada para merecer tudo isso?

Não fique com vergonha! Farofar é chique, os parisienses adoram uma boa farofa!

Vocês devem estar imaginando que eu estou exagerando e estou falando dos famosos piqueniques franceses. Nananão! Exemplos?

No show da Alanis que fomos em Rouen, todas as pessoas da fila estavam com suas sacolinhas repletas de comida. Entramos na casa de show mais ou menos 1h30 antes do início previsto, o que os locais fizeram? Sentaram no chão e deram início a um banquete! Frutas, saladas, pães, bebidas…

Nos tais piqueniques não é muito diferente, saladas, sacolas térmicas, frutas, vinhos (muitos vinhos)… até gente comendo macarrão da tupperware que trouxe de casa eu vi no parque.

Então, meu caro, liberte-se e seja farofeiro e chique (ou não) como os franceses!

Aí vão algumas fotos que eu tirei no Parc La Villette para você não duvidarem:

Sim, nós temos visto!

Yes we can!

Visto em mãos, mala quase pronta, ansiedade de sobra e um medo: entrar na Europa.

Como nós já explicamos nos posts anteriores, tivemos que mudar de curso, logo, o início das aulas, que antes era em 18 de junho, passou para 2 de julho. Como nossa passagem foi comprada no séc 30 a.C, embarcamos no dia 12 de junho (tá acompanhando?). Ah tudo bem, Aliki, enquanto isso você entra na Europa como turista mesmo e aproveita esse tempo livre para passear. Claro, tudo seria lindo se a nossa entrada não fosse pela Espanha.

Se você não sabe o que está acontecendo com os nossos hermanos do lado de lá do oceano, dá uma passeada por uns sites de notícia, mas para simplificar eles adotaram umas medidas escrotas contra imigrantes, estão barrado em média 8 brasileiros por dia. Em 2011 foram 1400 barrados no total. Agora o Brasil adotou a lei da reciprocidade e está barrando espanhóis também , lindo não? NÃO!

O que conta a nosso favor é que temos o visto francês que começa a valer dali uns dias, além disso fizemos o seguro saúde que eles exigem para turistas, então eles não motivos reais para nos barrar, mas vai saber se o cara vai acordar de bom humor bem nesse dia.

 

Entrevista no Consulado da França – Parte 2

Como a Gabi já havia dito no post anterior, tivemos que remarcar nossa entrevista no consulado, desta vez com um novo curso de francês pago e os comprovantes todos em mãos, para então, quem sabe, conseguirmos o visto.

Ao contrário da nossa primeira visita, o lugar estava bem cheio (não como o consulado americano, obviamente) e meio desorganizado. Desta vez tinham duas pessoas atendendo, o Rafael e a Solange, aqui vale uma rápida explicação:

Se você está planejando ir morar na França e assim como nós adora ler uns blogs e comunidades por aí, já deve ter ouvido falar da Solange. Todo mundo toca o terror, dizendo que ela é o bicho papão do consulado! Então, muita hora nessa calma! (sic). 

Voltando.

Como na minha primeira visita eu já havia falado com o Rafael e sabia que com a Solange não seria lá muito bem atendida, fui na fila dele, lógico. Primeiro problema: o visto será concedido (ee!) mas só para o dia que começa a aula. Muita gente diz por aí que eles costumam dar o visto com entrada para pelo menos uma semaninha de antecedência, para você poder entrar no país tranquilo e caso queira ir antes para se adaptar, sem problemas! Baah, errado! Se isso existia, mudou. Teremos que entrar na França como turistas mesmo, e depois nosso visto vale automaticamente. Isso não chega a ser um super problema, mas passar pelo caras da imigração nunca é exatamente legal.

Tudo pronto com o Rafael, ele me manda a para a fila de quem? Solange!! Ela é quem estava tirando as fotos e pegando as digitais, show! Quer saber? Ela é tudo isso o que falam mesmo: grossa, mal educada e tem cara de maluca. De cara implicou com o fato de eu ter um curso de 6 meses e um contrato de aluguel para 9 meses. O coitado do Rafael foi quem veio me salvar e dizer que não havia problema, que eu tentaria renovar quando chegasse lá. Depois de muuuito tempo discutindo isso ela aceitou as condições, e na hora de fazer meu cadastro é óbvio que o sistema travou (devo dizer que eu fiquei quase duas horas em pé e com o pé machucado, beijos alegria).

No final das contas deu tudo certo, finalmente tenho o visto, para 6 meses, mas tenho! Tenho que voltar para buscar o passaporte no dia 27 de maio! yey! Sexta-feira é o dia da Gabi, torçam por ela.

Ps: Não esqueçam que o visto custa R$ 123,15 e a Solange é quem cobra, então levem trocado!

Entrevista no Consulado da França – Parte 1

Como nada nesta vida é tão simples quanto parece, lá vai a nossa saga no Consulado da França em São Paulo para conseguir o visto de estudante. Eu tinha entrevista marcada para o dia 26 de abril, às 11h. Lembrando que não é possível agendar a entrevista no consulado sem antes passar pelo processo Campus France.

Fui atendida com uma hora de atraso por um rapaz meio simpático, apesar do consulado estar praticamente vazio. Tinha apenas uma pessoa na minha frente. De toda aquela papelada que eles exigem para estudantes (veja aqui), não olham nada dos originais, somente a carta de financiamento, o passaporte – é claro – e um formulário que deve ser levado já preenchido (que você encontra neste link). O restante da burocracia é toda em cópias.

O grande problema é que nem Campus France, muito menos o site do consulado, informam que para conseguir o visto de estudante de curso de francês, além do comprovante de estar inscrito em um curso de 20h semanais reconhecido pelo Ministério Francês da Educação, é necessário pagá-lo INTEGRALMENTE pelo período em que se está solicitando o visto.

Por isso, vamos ter que retornar ao consulado em outra data.

Aí pensamos: “é só pagar, ok”. Só que estávamos inscritas na Aliança Francesa de Paris, que aceitava pagamento apenas por cartão de crédito e nenhuma de nós possui um limite tão alto. Assim, mudamos de escola e agora vamos estudar na France Langue (que aceita pagamento por transferência bancária), mas eles só estão vendendo cursos até dezembro e, inicialmente, queríamos solicitar o visto até fevereiro – o que não será mais possível. A ideia é renovar quando estivermos lá.

Para trocar de curso é necessário comunicar a Campus France e enviar por e-mail uma cópia da carta de inscrição da nova instituição. Depois, é só reagendar a entrevista no consulado.

Alugando um Apartamento em Paris – Part II

Esse post deveria se chamar “Alugando um Apartamento em Paris – A Saga”.

Eu já havia falado no post Alugando um Apartamento em Paris sobre as imobiliárias e a documentação necessária para alugar um apartamento através delas. Mais uma vez eu faço questão de ressaltar: as imobiliárias são enroladas, o atendimento é ruim e eles não fazem nada para colaborar, além disso, a opinião do proprietário conta muito! Não adianta estar tudo certo com a imobiliária, pois eles entregam um dossiê com suas informações e o cara diz se aceita ou não (isso aconteceu algumas vezes, por diversos motivos tivemos que começar do zero algumas vezes).

Maaas, finalmente conseguimos! Efetuamos hoje o pagamento da taxa imobiliária necessária para fazer a reserva e pronto, agora temos, finalmente, um teto! Alugamos pela Paris Attitude.

Rua de casa no Street View

O apartamento é um minúsculo studio de 17m2. Explico: na época do barão Haussmann os prédios tinham uma divisão praticamente obrigatória. No térreo ficavam os apartamentos pequenos, apertados e de menor valor, normalmente onde morava o zelador. Os andares do meio eram mais valorizados, pé direito alto, grande e espaçoso, onde ficavam os endinheirados. O último andar era o pior de todos, pequeno, com o teto super rebaixado e há 6 ou 7 andares de escadas do chão, normalmente onde moravam as empregadas que trabalhavam nos andares do meio. Isso quer dizer que, se você não é rico, pode se preparar para morar em lugares pequenos no térreo ou no último andar.

Tudo começando a tomar forma… em breve estaremos lá! =D

Alugando um Apartamento em Paris

Conseguir um apartamento em Paris pode não ser a tarefa mais difícil da sua vida, mas eu garanto que fácil não será!

Vamos começar com uma pequena aula de história e geografia: Paris é uma cidade muito pequena! Comparar com São Paulo seria covardia, então vou comparar com Curitiba. A capital paranaense tem (segundo a Wikipédia, nhé) 434,967 km² enquanto a capital francesa tem 105.4 km2

Sim, Paris é uma cidade linda, charmosa, com prédios baixinhos e de arquitetura deslumbrante, isso tudo é culpa do barão Haussmann, nomeado por Napoleão III como prefeito de Paris (em 1853). Haussmann fez, literalmente, uma reforma na cidade toda e foi então que ele determinou a altura dos prédios, estilo arquitetônico, etc, isso significa que praticamente todos os prédios de Paris tem 6 ou 7 andares.

Isso tudo faz de Paris uma capital pequena, apertada e com poucos apartamentos disponíveis. O mais importante é que você até consegue encontrar alguns studios bacanas, mas eles são caros, muito, muito caros.

Dito isso, vamos falar de imobiliária. Depois de muito pesquisar decidimos que as mais confiáveis, seguras e (teóricamente) fáceis de se conseguir são a Lodgis e a Paris Attitude. Como nós somos brasileiras, desconfiadas de tudo e de todos, escolhemos as que têm mais referências, sabe como é né, não podemos correr o risco de chegar lá de mala e cuia e ficar na rua.

Ambas fazem contratos curtos e longos. Para contratos acima de três meses você vai precisar de: última declaração de renda e copia do passaporte, se for estudante pode apresentar o atestado escolar e cópia do passaporte, e os documentos financeiros de um fiador (passaporte, contrato de trabalho, imposto de renda e as três últimas folhas de pagamento). Seu fiador pode ser brasileiro, mas ele precisa ter um salário de ao menos 3x o valor do aluguel.

o nosso quase contrato

Além disso tudo, você vai precisar se preparar para o atendimento, que é lento e confuso. Estávamos com o contrato assinado com a Paris Attitude, prontas para efetuar o pagamento e desistimos por causa das trapalhadas de quem estava nos atendendo. Decidimos então fechar com a Lodgis e esta semana tivemos que fazer um DDI para falar com a atendente… vou te dizer, que mulherzinha atrapalhada que não entende nada! Troquei quase 30 e-mails com ela, e ela simplesmente não entendia o que eu queria.

Finalmente depois disso tudo eles fazem o pedido ao proprietário, a imobiliária monta um “dossiê” com todas as suas informações e o cara diz se vai te aceitar ou não, agora, se ele não aceitar você precisa começar tudo novamente.

Nós estamos esperando a resposta. Boa sorte para nós e para vocês!

Onde morar?

Essa é uma pergunta que nós mesmas estamos nos fazendo. Mesmo depois de trocar uns 200 e-mails, não conseguimos decidir nada.

Paris é dividida em 20 arrondissements, estes estão distribuídos de acordo com uma espiral que se desenvolve no sentido dos ponteiros do relógio a partir do centro do mapa, onde fica o Louvre. Quando nós fomos para lá, ficamos em um apê charmosinho em Le Marais, que fica entre o 3 e o 4. Muito perto do Louvre, da Bastilha e no mesmo bairro do Pompidou.

Não vou mentir, nossa vontade era ficar por lá mesmo, mas não é o lugar mais barato.

Boatos diziam que morar em Monmartre (18 arrondissement) era relativamente barato, por ser um lugar mais afastado e “longe” de tudo. Nossas pesquisas dizem que isso é mentira. Esse é o lugar onde filmes como Moulin Rouge e O Fabuloso Destino de Amelie Poulain foram rodados, com essas e outras referências cinematográficas o bairro passa a ser muito procurando, portanto, caro!

Outra opção que chegamos a pensar foi morar fora de Paris, na periferia mesmo. Alguns lugares dizendo que é maravilhoso, outros dizem que é realmente muito perigoso, sem contar que já cansamos de ver na TV e ler nos sites e jornais da vida que é MESMO perigoso. Como não somos de lá e não queremos correr o risco, essa é uma possibilidade que para nós está cancelada.

Estamos procurando apes em alguns sites, Paris Apartment e Lodgis, por exemplo.

Nossa busca por um lar ainda é longa, vamos ver no que vai dar!

Maaaas, já que eu falei de filmes, vou aproveitar e recomendar um bem fofinho que assisti recentemente e que também é filmado em Monmartre.

O Pequeno Nicolau (Le Petit Nicolas) mostra a história de um pequeno francês que entende, por engano, que vai ganhar uma irmãzinha.  O desespero toma conta, pois ele acredita que será abandonado quando a nova integrante da família chegar.