Entrevista no Consulado da França – Parte 3 (e última!)

Hoje foi a minha vez de retornar ao Consulado da França em São Paulo para tirar (ou não) o visto de estudante para curso de francês. Se você chegou agora e não sabe do perrengue que passamos, tudo está descrito com detalhes nas partes 1 e 2.

Como a Aliki foi cobaia na terça-feira, não tive problemas. O esquema era o mesmo: checar documentos com o Rafael (um pouco simpático) e pegar o visto efetivamente com a adorável (só que não) Solange. Como de costume, minha entrevista estava marcada para às 9h15, mas só me chamaram quase uma hora depois.

Rafael olhou meus documentos bem por cima – o que não significa que devemos ignorar as recomendações e não levar todos os papéis solicitados. Logo lembrou que meu caso era igual ao da Aliki, não perguntou mais nada e me mandou para a Solange.

Ao contrário de tudo o que li em blogs sobre estudar na França e da experiência que a Aliki teve, a mulher foi a pessoa mais simpática do universo comigo! O ápice foi na hora de tirar a foto para o visto. Nunca sorrio em fotos, porque odeio. Então a Solange pediu para eu me ajeitar e mandou: “dá um sorrisinho de Monalisa pelo menos”. Continuei com a minha cara de sempre. “Poxa, nem parece que você está indo pra França! Dá um sorriso de Monalisa!” No final, até me mostrou a foto. Saí de cara amarrada, pra manter a tradição.

Ou seja, Solange pode não ser o bicho-papão do consulado. Não sei se porque era sexta-feira ou se ela estava mesmo feliz, mas fica a dica para agendar entrevista mais para o fim da semana! hahaha

Dia 28/5 é só ir buscar o passaporte no consulado! Viajamos na madrugada do dia 11 para o dia 12 de junho.

Entrevista Campus France

Para estudar na França, todos precisam passar pelo processo do Campus France, uma espécie de órgão do governo francês. No site você encontra um guia que ensina como preencher os formulários na internet e dar continuidade ao processo. É só passando pelo Campus France que você pode, então, ir até o consulado francês pedir o visto de estudante (isso vale para todos, de curso de francês a doutorado).

Depois de preencher os formulários, enviar a documentação pedida e pagar a módica (só que não) taxa de R$ 335, você estará apto a passar por uma entrevista (agendada por e-mail), em que o entrevistador definirá se você pode ou não ir para o consulado. Como estou planejando minha estadia em Paris há um ano, já havia lido em diversos blogs e comunidades que essa entrevista era apenas uma burocracia imbecil para ganhar dinheiro fácil. E é.

Minha entrevista foi agendada por eles na unidade da Aliança Francesa na República. Estive lá ontem, para ser entrevistada pela simpática Lúcia Claro. Eu não estava nervosa, porque sabia que era um procedimento de praxe, mas a entrevistadora tentou me deixar bastante à vontade.

Papel que comprova a conclusão do processo Campus France e deve ser apresentado no consulado francês

Depois de anotar meus dados, ela começou a seguir um roteiro de perguntas, mais ou menos assim:

– Fala inglês?

– O que vai fazer na França? Duração do curso?

– Descreva seu percurso acadêmico desde o ensino médio

– Trabalha na área de formação?

– Por que estudar francês na França e não no Brasil?

– No que essa experiência vai contribuir para sua vida profissional?

– O que pretende fazer quando voltar para o Brasil?

– É independente? Não terá problemas para viver sozinho em um país estrangeiro?

 

A conversa toda durou por volta de 30 minutos. O interessante é sempre deixar bem claro que você pretende mesmo voltar para Brasil, não importa se essa não é sua intenção. Ter um projeto de estudos bem definido também é bacana. Eu, como sei bem o que quero fazer lá (francês e depois mestrado em História da Arte), passei bastante segurança em minhas respostas e fui ganhando a aprovação da entrevistadora, que pareceu bem satisfeita com meu projeto de estudos.

Ao final, ela assina um papel que é preciso mostrar no consulado, provando que você concluiu o processo Campus France. Agora é só esperar a entrevista no consulado francês, em 26 de abril. Como meus pais não vão me bancar, estou um pouco apreensiva quanto a grana, mas acho que vai dar tudo certo.

Sobre o apartamento, até agora não conseguimos alugar. As imobiliárias são bastante enroladas e um dos proprietários, que ficava com o apartamento vago em abril, não quis nos aceitar apenas em junho.

Para acessar os guias Campus France, clique aqui

A vida é feita de escolhas…

Falta mais ou menos um ano para que a gente vá para a França – mais ou menos porque nossa aula de francês começa lá pelo dia 20, mas não sabemos qual dia nosso visto será liberado para que possamos entrar no país. Hoje eu comecei a minha limpa de coisas que vão para Paris e coisas que não vão. Pode parecer precipitado fazer isso assim tão cedo, mas como eu não moro na casa dos meus pais, não posso simplesmente deixar as coisas do jeito que estão, preciso levar para Curitiba.

Pode parecer simples escolher o que vai e o que fica, mas para a canceriana sentimental que tem apego às suas coisas, é bem complicado. Além disso, fazer essas escolhas me faz pensar o quão grandiosa é toda essa jornada que eu estou prestes a entrar. Eu tenho uma vida segura aqui, conheço tudo e todos. Tenho a minha grande coleção de DVDS e quadros. Sei onde fica o mercado e onde comprar roupas. Sei como funcionam os costumes, as políticas, o sistema.

Não importa o quanto eu pesquise e leia sobre Paris e a vida dos franceses, não importa que eu tenha passado 10 dias lá, isso não me dá uma dimensão real do que vou encontrar. Isso me assusta, isso me excita. Um ano!

Estes são alguns dos que vão ficar. Ai que dor no coração.