Estereótipos – Francês é mal-educado?

Sabe aquele seu amigo que passou uns dias em Paris e adora voltar para o Brasil contando para todo mundo como foi maltratado? Aquela tia velha que não fala nem português direito e reclama que ninguém a entende?

Três meses aqui são suficientes para dizer que isso é balela!

Na verdade eles são educados ao extremo, são tão educados e gentis que você se torna uma pessoa melhor por sentir vergonha de ser “mal-educada”. Eu não estou dizendo que nunca fui atendida por um caixa de supermercado mais grosso ou que nunca levei uma trombada na rua sem ouvir um excuse moi, mas não sejamos hipócritas, isso tem de monte no Brasil!

Exemplo maior de toda essa educação, na minha humilde opinião, é o metrô. É fácil identificar quem é turista e quem é nativo. Franceses esperam você descer do vagão SEMPRE antes de entrar. Normalmente quando você sai das estações de metrô, deve passar por umas portas super pesadas, mas não se preocupe, o francês sempre vai segurar a porta para você.   

O que o francês não gosta é de falta de educação, e aí meu querido, eles não toleram mesmo! Vão bufar, reclamar e até mesmo dar uma xingada!

Como, por exemplo, uma vez em um restaurante entraram quatro velhas argentinas, a garçonete super simpática mandou um Bonjour. As velhas responderam (em espanhol, obviamente, porque todo mundo é obrigado a falar espanhol na França) que queriam quatro lugares. A garçonete mais uma vez olhou para elas e disse BONJOUR. Nada de resposta. Claro que o atendimento das velhas argentinas foi uma bosta.

Enfim, se você quer educação dos franceses, seja educado primeiro.

Farofando com os Franceses

Sabe quando sua família desce para a praia no fim de semana para “farofar” (seu pai com aquele isoporzão cheio de itaipava e dolly guaraná, seu tio com os sandubas de mortadela, sua mãe com a esteira pra todo mundo sentar…) e você morre de vergonha? Fica pensando que não fez nada para merecer tudo isso?

Não fique com vergonha! Farofar é chique, os parisienses adoram uma boa farofa!

Vocês devem estar imaginando que eu estou exagerando e estou falando dos famosos piqueniques franceses. Nananão! Exemplos?

No show da Alanis que fomos em Rouen, todas as pessoas da fila estavam com suas sacolinhas repletas de comida. Entramos na casa de show mais ou menos 1h30 antes do início previsto, o que os locais fizeram? Sentaram no chão e deram início a um banquete! Frutas, saladas, pães, bebidas…

Nos tais piqueniques não é muito diferente, saladas, sacolas térmicas, frutas, vinhos (muitos vinhos)… até gente comendo macarrão da tupperware que trouxe de casa eu vi no parque.

Então, meu caro, liberte-se e seja farofeiro e chique (ou não) como os franceses!

Aí vão algumas fotos que eu tirei no Parc La Villette para você não duvidarem:

Estereótipos – Francês é fedido?

Faz apenas um mês que chegamos em Paris, tem um infinito mundo de informações, hábitos franceses e muitas coisas que eu não sei, mas tem uma coisa que eu já consegui descobrir (devo avisar que vou generalizar, tô nem aí): os franceses são fedidos sim!

Eu já li gente defendendo e dizendo que não eles não fedem, o problema é que durante o inverno eles não lavam seus casacos, que pegam neve, não secam e ficam com cheiro de cachorro molhado. Bullshit!

Nós estamos em um verão – nem tão quente assim – e eles fedem. Fedem sovaco sem desodorante! Não pense você que estou falando de gente velha e supostamente ranzinza que odeia tomar banho, são todos! Jovens engravatados, mulheres moderninhas, senhoras, rapazes coxinhas (sim, temos os coxinhas na França também), adolescentes… Todos!

Eu não saberia explicar o porquê, é necessária uma investigação mais profunda. Infelizmente não sei se eles não tomam banho mesmo ou simplesmente não descobriram o poder do desodorante, mas andar em um metrô cheio definitivamente não é das tarefas mais fáceis.

Chegamos!

Chegamos! Há dois dias, mas só agora deu vontade tempo de escrever.

Como eu disse no post anterior, pegamos um vôo da Singapore Airlines de São Paulo até Barcelona e lá fizemos conexão até Paris pela AirFrance. Agora eu apanho da Gabriella se não disser que a Singapore é incrível!! Os funcionários são simpáticos, a comida é show, as comissárias são lindas e usam um uniforme muito fofo.

Dito isso… lembram do medo de não nos deixarem entrar na Espanha? Puff, o cara levou longos 30 segundos pra carimbar o passaporte das duas sem fazer NENHUMA pergunta e nos indicar o caminho. Juro que se não tivesse lido tantos relatos chatos diria que é o lugar mais fácil de se entrar na Europa.

O nosso apartamento… bom, o apartamento é pequeno. Muito pequeno. Pequeno pacas. Mas tudo bem, ele é arrumadinho, tem tudo o que a gente precisa para cozinhar, tem roupas de cama e banho e internet.. então tudo bem, né? Ah, e o sofá cama é algo inexplicável, ganha de muita cama por aí (sem ironias, é bom mesmo!)

Ontem fomos dar uma andada para conhecer o bairro, estávamos cansadas e sem pique para andar muito, passeamos por duas quadras e olha ela lá!!!

Depois desse gostinho até decidimos encarar os 4km até lá só para vê-la mais de pertinho! Minhas pernas pediram arrego na metade do caminho e a super chuva que pegamos na volta foi bem chatinha, mas vale a pena.

O nosso bairro é super residencial, cheio de famílias com crianças e velhinhos, poucas lojas, comércio bem local com mercados e uma feira de rua ótima que rola toda quinta-feira.

Hoje fizemos a pé o caminho para o curso de francês, que é do lado do Arco do Triunfo, aí aproveitamos e fomos bater perna pela Champs Élysées.

Estamos fazendo um reconhecimento da área, em breve voltamos com passeios mais legais e informações mais completas.

 

Viver fora do país

Eu sou assim: adoro aventuras, desde que elas sejam seguras. Parece contraditório, mas o simples fato de ir para o outro lado do mundo (ok, do outro lado do oceano) já é aventura pra caramba, eu não preciso chegar lá e encontrar um caminhão de dificuldades. Por isso eu leio! Leio matérias, leio blogs, leio.. qualquer coisa sobre a Europa, costumes, curiosidades, experiências. Muitas vezes eu encontro mais do que informação, eu encontro conforto. Encontro relatos de pessoas que já passaram pelo que estou prestes a viver.

Há algum tempo escrevi o post Ah, a Europa… com algumas motivações, para alguém querer ir para a Europa. Mas elas eram fúteis, não escrevi nada além de “lindos quadros e monumentos históricos”. Acontece que ontem entrei no blog Brasil com Z e li um texto que me deixou com o coração batendo aceleradinho só de pensar em tudo o que vou vivenciar por lá. O título é Por que é tão difícil ter vontade de voltar a viver no Brasil? da Glenda Dimuro, que mora em Sevilha, na Espanha. O texto é ótimo, e para você ficar com mais vontade de ler, aqui vai um pequeno trecho:

Quem, depois de aprender a cruzar uma rua pela faixa de segurança sem nem precisar olhar para os lados ou se acostumar a voltar para casa a pé às 3 da manhã, desfrutando do cheiro das flores de laranjeira e do silêncio da madrugada sem precisar olhar para trás, pensa um dia em regressar à sua pátria amada?

Além disso saiu uma matéria hoje no portal da IG dizendo que mais de 3 milhões de pessoas moram fora do país. Um pouco mais de 80 mil está na França. Quer dizer, são 3 milhões de pessoas em busca de algo que não encontraram aqui na terrinha.

Leia o texto do Brasil com Z e me diga que você não tem vontade de viver com mais qualidade e se livrar um pouco da quantidade.

O que eu NÃO vou comer na Europa

Eu sou uma gorda assumida, gosto de aproveitar e conhecer os sabores da vida. Procuro conhecer a gastronomia da cidade ou país que estou visitando, acredito ser essa uma parte muito importante da cultura local. Isso não quer dizer que eu não vá sentir falta das comidas que eu encontro por aqui.

Como boa gordinha que sou, tenho uma lista de coisas que pretendo comer (algumas vezes) antes de me mudar para a França. Se você que pretende viajar ainda não tinha parado para pensar em tudo o que não vai comer, segue uma parte da lista:

 

– Rodízios! Comida saindo pelos poros por um preço fechado é coisa de brasileiro! Pizza, Sushi, Churrasco… tanto faz, vou sentir falta de qualquer tipo de rodízio!

– Os famosos salgados! Coxinha, pastel, bolinha de queijo… toda aquela gordura das deliciosas festinhas infantis! 

– Pão de queijo! Eu nem sou mineira, mas tem coisa melhor do que aquele pão de queijo quentinho com requeijão? Morri!

– Bis! A Gabriella disse que outros chocolates vão compensar a falta do Bis, mas como vou viver sem aquele biscoito crocante coberto com uma fina camada de chocolate branco?

– Feijoada! Eu sei que tem o Cassoulet que é o prato que originou esse nosso famoso prato, mas vamos falar a verdade, não tem couve e farofa! Como fica?

– Barreado! Esse é um prato que você provavelmente só conhece se é do Paraná ou se conhece alguém de lá! “O prato consiste em uma carne cozida, servida com arroz e farinha de mandioca. O segredo na preparação é o tempo de cozimento na panela de barro – cerca de vinte horas – o suficiente para desfiar toda a carne. Depois de cozida, as fibras da carne se soltam resultando em um caldo grosso e saboroso.”

 

Tem mais um milhão de itens nessa lista, mas vou deixar o resto pra depois ou vou começar a chorar!

 

 

 

Vovô Ferdinando – The End

Venho por meio desde anunciar a minha desistência na busca dos meus documentos e, consequentemente, minha cidadania italiana.

É isso mesmo, se vocês acompanharam outros posts sabem que eu estava procurando os documentos da minha família, mas deve rolar um sangue nômade nos Trevisan, que inclusive veio parar em mim, já que eu vim do Paraná para morar em São Paulo e agora quero ir para a França.

Descobri muitas informações importantes durante a busca, mas ainda falta tanta coisa que dá até um desânimo. Sem contar que vai ser praticamente impossível visto que meu avô não lembrava nem a cidade onde tinha nascido. Há um tempo enviei um e-mail para Treviso, que é onde a família ACHA que o italiano nasceu. A resposta chegou essa semana e basicamente dizia “estou cagando para você e não vou te ajudar”.

Então é isso, vou para lá com meu visto de estudante mesmo e seja o que Deus quiser.

Vovô Ferdinando Part IV

Essa novela vai longe…

No feriado da Páscoa fui até Boa Esperança, uma cidadezinha no interior de MG, onde mora a irmã do meu avô, Ivone.  Lá eu pude descobrir algumas coisas – não muitas –  mas deu para avançar.

Lá eu peguei a certidão de nascimento da Ivone, e descobrindo o cartório em que ela nasceu eu poderia ter alguma informação sobre o Ferdinando, já que a certidão do meu avô não ajudou muito. Como a vida não tem sido muito fácil pro meu lado, é ÓB VIO que não tinha nada de útil. Lá a moça me falou que eu poderia tentar ligar onde a Ivone se casou, em Mococa (São Paulo) talvez eu descobrisse algo.

Um cara com muita má vontade foi buscar a tal certidão, e lá dizia que Ferdinando tinha 64 anos quando ela casou, em 1980. Bom, pelo menos o ano de nascimento do vovô eu tinha, 1916!

Depois disso, liguei para o cartório de Boa Esperança, onde está o atestado de óbito do Ferdinando, lá descobri que ele nasceu em Silveira Martins, RS, e casou em Arroio do Só, RS. Oba! Era só ligar para essas cidades e eu descobriria alguma coisa sobre quem realmente interessa, meu trisavô. Liguei para Silveira Martins e nem sinal de Ferdinando por lá! Mas quando estive em Boa Esperança pedi para um primo de minha mãe pegar uma segunda via da certidão de óbito. Ele pegou! Chegou essa semana, e com outra data de nascimento de Ferdinando, 1914. Agora preciso ligar em Silveira Martins outra vez para tentar algo nessa nova data.

Continuem acompanhando os próximos capítulos…

Para comemorar as quase 800 visitas no blog e relembrar os bons momentos que passamos em Paris, vou deixar para vocês este rápido vídeo que fiz com algumas imagens bacanas, especialmente da Diandra! hahahaha

Naturalização francesa

Enquanto procrastino no trabalho, estava pesquisando sobre a naturalização francesa, por curiosidade. Então resolvi compartilhar o que descobri aqui com vocês.

Depois de cinco anos morando em território francês, você pode pedir a naturalização. Como lá eles são bacanas, não há necessidade de abdicar de sua nacionalidade (no caso, brasileira), então vai funcionar como uma dupla-cidadania.

Para provar que passou os cinco anos morando legamente no país, é preciso apresentar o visto e o exame médico que você faz na imigração quando vai pegar seu titre de séjour, logo quando chega na França. Ah, e claro, pagar uma módica taxa de 340 euros para se tornar francês.

Depois disso, você precisa provar que tem conhecimentos da cultura francesa (pelo que eu entendi se faz uma provinha, na qual é preciso cantar o hino nacional…hahaha) e é fluente da língua – comprovado quando você tem o DALF. Mais informações no site do Service Public.

Enfim, achei mais fácil e mais barato do que tirar a cidadania italiana. Mas continuo na busca dos documentos.

Será que vou ter um desse?

Vovô Ferdinando part III

Essa história de vovô Ferdinando vai chegar em “part CXII” até o final das pesquisas.

Com a certidão de casamento dos meus avós eu tinha a pista da suposta cidade em que meu avô nasceu. Entrei em contato com algumas das cidades no RS em que meu avô pudesse ter sido registrado e nada. Então em um desses lugares a moça que me atendeu no telefone pensou em uma coisa óbvia que eu não havia pensado. Para se casar meu avô precisou apresentar algum documento, como eu tinha a certidão de casamento era só achar o cartório e voilá! Dito e feito. Descobri que ele foi registrado em Faxinal do Soturno – RS.

Segunda-feira ligarei lá novamente para ver se na certidão consta alguma informação sobre o Ferdinando!

Então vamos aos documentos:

– Certidão de casamento dos meus pais: OK

– Certidão de nascimento da minha mãe: OK

– Certidão de casamentos dos meus avós: OK

– Certidão de nascimento do meu avô: OK

 

Finalmente parece que estou no caminho certo para a vida em Paris! (L)