Vovô Ferdinando part II

Para quem acha que nós somos apenas meninas ricas que querem viajar, saiba que nesse momento o dinheiro não é o que mais conta.

Esse final de semana fui para Curitiba para o aniversário da minha mãe, finalmente consegui conversar com os meus avós.

Ferdinando era pai do meu avô, como ele está MUITO doente, pouco se lembra da infância e o que lembra não consegue falar. Semana passada a irmã do meu avô ligou para saber dele e minha avó aproveitou para fazer algumas perguntas. Resultado: Vovô Ferdinando NÃO era italiano. Até aí tudo bem, já que o meu TRISAVÔ era, Angelo Trevisan. O problema é que eu preciso do documento de toda essa galera, e aí eu pergunto: Alguém sabe a cidade onde Ferdinando nasceu? Claro que não! Pelo menos eu sei em qual ele morreu, estou resando para que na certidão de óbito conste essa informação.

Na casa de minha avó consegui alguns documentos que podem me dar pistas, a cetidão de casamento dos meus avós e a de nascimento da minha mãe.

Na de casamento diz que meu avô é natural de Santos Anjos, RS. Essa cidade não existe, um erro grotesco na hora do registro vai me atrapalhar,  acedito que a cidade real seja Santo Angelo. Já entrei em contato com o único cartório que tem na cidade e amanhã eles terão os resultados da busca.

Resumindo: Meu trisavô nasceu na Itália, meu bisavô e meu avô em algun lugar no Rio Grande do Sul, meus avós se casaram em Toledo – PR, minha mãe nasceu em Corbélia – PR, meus pais se casaram em Curitiba.

Preparem as estradas porque eu vou viajar muito.

PS.: Fomos citadas na página inicial do WordPress! =D

Mais fácil do que imaginei

Aproveitei o fim de semana para ir atrás da história de meus antepassados, que me ajudarão a virar uma legítima europeia. Ao contrário da Aliki – que depois irá contar o drama dela para vocês – minha família se estabeleceu em São Paulo e aqui casou, procriou e morreu. Ou seja, não vou ter muitos problemas em conseguir as certidões (pelo menos as brasileiras).

Já tenho todos os cartórios, agora preciso ir em cada um pedir os documentos para tentar descobrir em algum deles em qual cidade meu bisavô nasceu. Como a Aliki é de Curitiba, nós vamos fazer a legalização dos documentos no consulado de lá. Ela está marcada para dia 22 e 23 de outubro de 2013 (sim, era a data mais próxima).

Paralelamente a isso, entrei em contato com a France Langue para saber quais são os “procedimentos” para nos inscrevermos no curso.

Dica

Para quem pensa em morar na França ou só dar um pulo na cidade, recomendo o site Art de Viv. Lá tem dicas de turismo, acomodação, vistos (as melhores que encontrei, em português) e outras informações importantes.

Plano B

Se tudo der errado, como já começou a dar, vamos para a França com visto de estudante, fazer francês. Primeiro íamos pela Aliança Francesa de Paris, mas era 700 euros por mês, um valor inviável para nós.

Ontem, depois do desespero que passamos com a história da cidadania, encontramos a France Langue (reconhecida pelo Ministério da Educação francês, ou seja, super digna), que tem um curso de um ano por 5200 euros, muito mais cabível ao nosso orçamento.

Quando estivermos fluentes, vamos preparar nosso dossiê para nos candidatarmos em alguma universidade. Eu queria fazer mestrado em História da Arte, mas encontrei outras possibilidades de curso bem interessantes. Para quem pensa em estudar na França, recomendo dar uma olhada no Campus France, órgão do governo que faz o intermédio entre estrangeiros e as universidades – lá também tem uma lista com os cursos de francês reconhecidos.

Por enquanto, é isso, mas pode ser que amanhã tudo mude!

Primeiro problema

É claro que problemas já eram esperados e até  estavam demorando para aparecer, mas precisava ser um assim tão complicado?

Acontece que mesmo que você vá tirar a sua cidadania lá na Itália (onde o processo é BEM mais rápido) você precisa agendar uma espécie de entrevista no consulado, aqui mesmo no Brasil. Nessa entrevista você precisa mostrar toda a documentação, eles vão legalizar etc, etc, etc. O problema é que, se assim como eu, você mora em São Paulo… BOA SORTE!! A data mais próxima no consulado daqui é em 2019! Tem outros espalhados pelo país, mas é preciso comprovar que você mora na cidade há, pelo menos, um ano.

Não sabemos ainda o que vamos fazer, mas em breve teremos mais informações!

Vantagens da dupla cidadania

Antes de falar sobre as vantagens vou contar uma pequena experiência.

No final do ano passado eu, Gabi, Diandra e André fomos passar o ano novo em Paris, tudo lindo! Para quem nunca viajou é assim: quando você desembarca no aeroporto é preciso passar pela alfândega, tem uma fila para cidadãos da União Europeia e uma para resto do mundo. Bom, chegando a nossa vez de receber o tão esperado carimbo para finalmente poder entrar no país, chegou a parte da humilhação. Tivemos que mostrar o nosso dinheiro, cartões de crédito, comprovante de hospedagem, passagem de volta, além é claro de responder inúmeras perguntas que nos foram feitas. O André ainda teve que explicar um anel meio estranho que estava usando. Enquanto isso a fila da U.E andava que era uma beleza…

Então, além de ser tratado com respeito em toda a Europa, as vantagens são muitas. Ao tornar-se cidadão italiano, você poderá ali residir e gozar dos mesmos direitos e obrigações de quem é natural, seja quanto à moradia, trabalho, estudo, política, assistência médica, enfim, você se torna um italiano.

E tem ainda a parte que mais nos interessa, todo cidadão da U.E tem direito a estudar e concluir formação, trabalhar e residir em qualquer país do grupo, além de não precisar de visto para entrar nos Estados Unidos. Os países que fazem parte da U.E são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Eslovênia, Espanha, Estônia, Eslováquia, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Polônia, Portugal, República Checa e Suécia.

E você tá esperando o que pra ir tirar a sua?

Passo a passo da cidadania italiana

Para quem acha que é super complicado e por isso nunca pensou em se tornar um cidadão europeu, eu e Aliki decidimos fazer um passo a passo da cidadania, tirada na Itália, para facilitar a vida:

1) O primeiro passo é descobrir se há algum italiano em sua linhagem. Ao contrário do que é dito, pode ser tataravô que não tem problema. Depois é só conseguir a certidão de nascimento, casamento e óbito do “antenato” (aquele que vai transmitir a cidadania italiana) até você.

Exemplo

Meu bisavô (pai da minha avó materna) é italiano. Preciso das seguintes certidões: bisavô > avó > mãe > eu.

*Lei de 1948 – Antes de 1948, mulheres não podiam transmitir a cidadania italiana a seus filhos, porque não tinham os mesmos direitos que os homens na Itália. Portanto, a mulher só passa a cidadania italiana para os filhos, caso eles tenham nascido DEPOIS de 1948.

2) Após muita conversa com familiares, é preciso descobrir onde nasceu seu antenato. É muito comum que os parentes saibam a província e não o comune (tipo o município) de nascimento do nonno.

Quando descobrir, envie uma carta ao Sindaco (prefeito) do comune, pedindo a certidão de nascimento. Caso ele tenha se casado na Itália, também é preciso pedir a certidão de casamento.

3) Com todas as certidões em mãos, leve ao consulado para tradução juramentada. Lá eles também dão um carimbo, necessário para apresentar os documentos na Itália.

Depois, é só partir! Deixo aqui o link do melhor blog sobre o assunto que encontrei, o Minha Saga. Lá tem muito mais detalhes, que com certeza ajudarão na busca da cidadania.

Vovô Ferdinando

Vale lembrar que, por enquanto, o que sabemos para tirar a cidadania italiana vem de pesquisas na internet e experiências de pessoas que conhecemos, não temos acompanhamentos especializados em nada. Qualquer dia a Gabriella faz um post sobre como tirar a cidadania. Sabendo disso, vamos lá!

Eu cresci ouvindo da minha avó materna, Carmen, que seu sogro – meu bisavô – era italiano, o avô Ferdinando. Só ouvia histórias vagas, nada que falasse sobre a cidade de onde ele supostamente teria vindo. Resolvi perguntar para a minha mãe alguma coisa, mesmo sabendo que ela pouco tinha convivido com ele e a informação que recebi foi a esperada: ela não sabe de nada e cogitou até que talvez ele não fosse mesmo italiano e sim descendente.

Hoje liguei para minha avó e boa notícia! Vovô Ferdinando era MESMO italiano! Ninguém sabe de que cidade ele veio, mas ela disse que vai ligar para a irmã mais velha do meu avô e talvez esta tenha mais informações! Vamos aguardar!

Muita vontade, pouca grana

A decisão de estudar na França foi meio repentina, como quase tudo de grandioso que faço na vida.  Conversando com a Diandra, por acaso, ela comentou sobre a vontade de ir também – já combinava algo com a Naiade. Assim, na louca, decidimos que iríamos e, obviamente, Aliki foi incluída na brincadeira.

Depois de algumas semanas de pesquisas, descobrimos que o curso na Aliança Francesa de Paris sai em torno de 700 euros por mês, o que seria inviável. Para se candidatar em alguma universidade, é preciso ter francês fluente, o que não é o nosso caso. O jeito seria adiar os planos.

Apesar disso, eu e Lili não queríamos de jeito nenhum ficar no Brasil em 2012. Até que outra saída apareceu: a cidadania italiana. Agora, nós duas, estamos atrás da documentação de nossos antepassados para, se tudo der certo, nos tornarmos italianinhas no ano que vem.

Tudo isso aconteceu em menos de um mês, então imaginem como os planos mudam rapidamente. Nesta nova empreitada, muito provavelmente, teremos Diogo conosco.

Aqui, vamos contar o passo-a-passo de nossa aventura no Velho Mundo. Au revoir!